Conheça as histórias originais que inspiraram os famosos contos de fadas – e acredite, não tem nada de fofo ou felizes para sempre

1. João e Maria

Versão Disney: Os irmãos João e Maria (Hansel e Gretel, no original) vivem com o pai e a madrasta. Esta fica brava com as crianças um dia e pede que eles colham amoras na floresta. Eles jogam migalhas de chão para não se perderem, mas os pássaros comem as pistas. Os irmãos encontram uma casa de doces, que funciona como armadilha para uma bruxa tentar devorar os dois.

João e Maria

Versão original: Na história, a madrasta cruel convence o marido de que a única maneira de evitar a fome é abandonar seus filhos. João e Maria ficam sabendo da trama e fogem para a floresta. Logo depois, uma bruxa velha sequestra os irmãos com planos de engordá-los para comê-los.

Trazendo para o mundo real, “João e Maria” não se distancia muito da realidade da Grande Fome de 1315 – 1317, a primeira de uma série de crises em larga escala que atingiu a Europa no início do século XIV, causando milhões de mortes, servindo como pano de fundo para este conto canibal. Fome e doença devoraram a Europa neste período resultando em crimes, mortes em massa e canibalismo. Além disso, muitos pais famintos foram forçados a abandonar seus próprios filhos se quisessem evitar morrer de fome.

2. Chapeuzinho Vermelho

Versão Disney (e versão Grimm também): O lobo chega à casa da vovó antes da Chapeuzinho Vermelho, e devora a proprietária. Ele se disfarça de vovó, e quase consegue enganar a garota, mas na hora de revelar o disfarce e devorá-la, o caçador mata o lobo.

Chapeuzinho Vermelho

Versão original: Em versões anteriores, bem como a edição de Charles Perrault, 1697, Chapeuzinho teria canibalizado sua própria avó depois de ser salva pelo Lobo Mau, que serviu à menina as entranhas da vovozinha. Em outra versão perturbadora, depois de servir a vovozinha à garota, ele exige que Chapeuzinho Vermelho ficasse pelada para se deitar na cama com ele, em seguida, a devora viva.

3. A Pequena Sereia

Versão Disney: Ariel vive no fundo do mar e é uma sereia independente que quer fazer parte do mundo dos humanos. Depois de tomar coragem e fazer um acordo com Úrsula, a esperta bruxa do mar, Ariel embarca na aventura da sua vida. Ao lado de Linguado e Sebastião, Ariel precisará ser valente e determinada para fazer o bem para os seus dois mundos.

Versão original: na história de Hans Christian Andersen, de 1837, Ariel troca sua voz doce por sua língua. Nesta troca, fica combinado que, ao tomar a poção da Bruxa do Mar, cada passo que Ariel desse, seria uma dor insuportável! Como se estivesse pisando em facas afiadas fazendo seus pés sangrarem terrivelmente. Além disso, a sereia só conseguiria uma alma se encontrasse o beijo do verdadeiro amor, e se o príncipe a amasse da mesma forma e casasse com ela. Fora isso, a Pequena Sereia morreria com o coração despedaçado e seu corpo transformado em espuma do mar.

Ariel, então, toma a poção mágica, perde a fala, encontra-se com o príncipe que sente-se atraído por sua beleza, mesmo ela sendo muda. Apesar da dor agonizante que sente em seus pés, a ex-sereia dança o quanto pode para seduzir o príncipe. Mesmo encantado, o príncipe se casa com a filha de outro Rei e deixa Ariel de coração despedaçado. A única solução que a salvaria da morte, era esfaquear o príncipe. Mas ela desiste e, conforme prometido pela Bruxa do Mar, Ariel morre se transformando em espuma.

4. A Bela Adormecida

Versão Disney: A história começa durante a comemoração do nascimento da bela Princesa Aurora, quando três fadas madrinhas chegam para oferecer os seus presentes para a menina. Flora lhe ofereceu o dom da beleza, Fauna concedeu o dom do canto e, momentos antes que Primavera lhe desse seu presente, a malvada bruxa Malévola apareceu e lançou um terrível feitiço sobre Aurora: quando ela completar 16 anos, ela furará o dedo e cairá em um sono eterno. Logo, a fada Primavera descobre um jeito de quebrar o feitiço: quando a Princesa cair no sono profundo, basta que um beijo do seu verdadeiro amor, o valente Príncipe Felipe, a desperte.

Bela Adormecida

Versão original: Não existem fadas madrinhas em “Sun, Moon, and Talia”, o conto popular perturbador sobre o qual a história de “A Bela Adormecida” é baseado. A história foi publicada pela primeira vez em 1634 pelo italiano Giambattista Basile, tendo Talia (Aurora) no centro da história.

Ao invés de ser espetada num fuso, uma lasca de farpa de linho entrou debaixo da unha de Talia fazendo-a entrar em colapso. Seu pai, não suportando a ideia de enterrar a própria filha, a coloca em uma das camas de sua propriedade.

E então, um Rei, casado, segue seu falcão de caça e chega à casa do Senhor, onde descobre a bela adormecida. Quando percebe ser incapaz de acordar a moça inconsciente, ele a estupra e volta à sua terra natal. Ainda inconsciente, Talia dá à luz a dois filhos. Um dos bebês, faminto, suga o a lasca de seu dedo, despertando-a do sono profundo.

Quando a esposa do Rei fica sabendo da existência de Talia, planeja matar as duas crianças, cozinhá-las e servi-las para o Rei, que descobre o plano da esposa e manda queimá-la viva.

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5. O Príncipe Sapo

Versão Disney: Tiana sonha em se tornar dona de um restaurante. Ela decide trabalhar na festa organizada pela amiga Charlotte, que tenta conquistar um príncipe de passagem pela cidade. Acidentalmente, Tiana usa o vestido da amiga, e é confundida com um princesa pelo sapo. O animal pede um beijo, que seria capaz de transformá-lo em humano. Mas quando Tiana o beija, é ela quem se torna uma rã.

Princesa e o Sapo

Versão original: Esqueça um beijo mágico. Na versão dos irmãos Grimm, o final de “O Príncipe Sapo”, é muito mais violento. Apesar da clara falta de interesse da princesa, o príncipe sapo viscoso continua seu namoro até que ele esteja em cima dela na cama. Neste momento, a princesa, toda enojada, joga o anfíbio contra a parede. Este ato é tão agressivo que transforma o sapo em um príncipe. Nada a ver com o beijo de piedade que conhecemos. Em uma versão alternativa, a princesa corta a cabeça do sapo e deixa sangrando até quase perto da morte. O que é o suficiente para transformá-lo em príncipe. Love hurts?

6. Cinderella

Versão Disney: Cinderella é uma bela jovem que, após perder o seu pai, deve conviver com sua madrasta e meias-irmãs malvadas e que a tratam como uma empregada. Quando sua madrasta a proíbe de ir ao Baile Real, a Fada Madrinha aparece e usa sua varinha mágica para transformar uma simples abóbora em uma carruagem mágica. Além disso, suas roupas velhas se transformam em um belo vestido de gala. Cinderela fica, portanto, preparada para brilhar e só precisa encontrar o Príncipe para viver a história de amor mais cativante de todos os tempos.

Cinderella - origens contos de fadas

Versão original: As irmãs insuportáveis da Cinderella são também umas das mais loucas e perversas dos contos. Na estória, quando elas se esforçam para que seus pés rechonchudos caibam no sapatinho, elass vão bem além disso: uma delas corta os dedos e a outra parte do calcanhar.

O príncipe acaba percebendo, já que o sapatinho fica cheio de sangue e descobre que Cinderella é a dona do sapato. As duas irmãs são castigadas tendo seus olhos furados por pássaros e Cinderella quebra o pescoço da Madrasta Má com a tampa de um baú, matando a vilã.

7. Branca de Neve

Versão Disney: A Rainha má pergunta a um espelho quem é a mulher mais bonita, e o objeto responde que é Branca de Neve. Enciumada, a mulher manda matar a garota, mas o homem encarregado da tarefa não tem coragem de assassiná-la, e deixa Branca de Neve fugir na floresta. Ela encontra a casa de sete anões, e passa a morar com eles. A Rainha descobre que sua rival ainda está viva, se disfarça de bruxa e entrega uma maçã envenenada para Branca de Neve, que dorme até ser acordada pelo beijo do príncipe. Os anões matam a Rainha.

Branca de Neve - origens contos de fadas

Versão original: De acordo com o historiador alemão Eckhard Sander, Branca de Neve pode ser baseada na história real do século XVI de Margarete von Waldeck, uma condessa Bávara que era amante de um príncipe espanhol, Filipe II. O pai e a madrasta de Margarete desaprovavam o relacionamento, bem como achavam politicamente inconveniente. Aos 21 anos, Margarete apareceu morta, aparentemente, envenenada por autoridades espanholas às ordens do pai de seu amado.

A história real traça paralelos em comum com o conto de fadas: Margarete era uma bela jovem alemã, atormentada por sua madrasta malvada, que apaixona-se por um príncipe e é envenenada.

Quanto aos adoráveis anões, na história real, eram crianças que trabalhavam em condições precárias em uma mina de extração de cobre. Muitas delas sofriam de deformidades graves devido às péssimas condições de trabalho.

8. A Bela e a Fera

Versão Disney: Um príncipe é castigado por sua arrogância, e acaba transformado em uma Fera. O feitiço só terminaria quando ele amar alguém, e for amado também. Dez anos depois, ele ainda não conseguiu essa façanha. Até descobrir Bela, uma garota culta que se torna a prisioneira em seu castelo. Bela o recusa no início, mas acaba se apaixonando. O feitiço se desfaz e os dois ficam juntos.

Versão original: Em uma das primeiras versões, de Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, Bela tem algo em comum com Cinderela, duas irmãs malvadas e invejosas. A trama original continua: após conquistar o amor da Fera, as irmãs tentam reter Bela fora de sua casa durante muito tempo. A ideia é irritar o Fera, fazendo com que ele devore sua amada quando ela retornasse.

9. Frozen

Versão Disney: Elsa é uma garota com o poder de transformar as coisas em gelo. Quando ela quase mata Anna, sua irmã menor, trolls fazem um feitiço para que Anna não se lembre do poder da irmã. Os pais das duas morrem e Elsa evita o contato com Anna, com medo de não controlar seus poderes. Quando sua capacidade se torna pública, Elsa se refugia em um castelo, mas Anna está decidida a buscá-la de volta, com a ajuda de um vendedor de gelo e de um boneco de neve.

Versão original: Na história “A Rainha do Gelo”, de Hans Christian Andersen, os trolls são malvados e fazem um espelho que distorce as imagens. O espelho se quebra e pequenas farpas atravessam os olhos e o coração de Kai, irmão de Gerda (sim, a história original gira em torno de uma garota e um garoto). A malvada rainha da neve aparece, faz com que Kai se esqueça da irmã e o leva com ela. Gerda procura pelo irmão, uma moita nasce de suas lágrimas, e investiga todos os cadáveres enterrados no chão, mas nenhum deles é de Kai, ou seja, ele ainda está vivo! Com a ajuda de uma garota ladra, eles retiram as farpas de Kai, combatem a bruxa e voltam para casa.

10. Peter Pan

Versão Disney: Peter Pan é um garoto que não quer crescer. Com ajuda do feitiço da fada Sininho, ele ensina Wendy e seus irmãos a voarem até a Terra do Nunca, um lugar onde o tempo passa de maneira diferente. Lá, o Capitão Gancho tenta se vingar de Peter Pan, pois atribui ao garoto a culpa de ter perdido uma de suas mãos em uma batalha.

Versão original: A história de J.M. Barrie não foi tão modificada, com algumas exceções sórdidas. Quando os Garotos Perdidos envelheciam, o próprio Peter Pan se encarregava de matá-los, para evitar a superpopulação na Terra do Nunca. Outra história, “Peter Pan in Kensington Gardens”, sugere que o garoto enterrava cadáveres diariamente, incluindo bebês que se perdiam e eram assassinados.

11. Rapunzel

Versão Disney: Rapunzel é mantida prisioneira numa torre pela cruel mamãe Gothel. Seus cabelos gigantescos servem a manter contato com o belo príncipe, que roubou a sua tiara sem conhecer a dona do acessório. Rapunzel recupera a tiara, e faz um trato com o príncipe: ela entrega o objeto se ele ajudá-la a sair de lá, para ver as luzes no dia do seu aniversário.

Versão original: Bom, neste caso a coisa é muito diferente. Logo nos primeiros encontros entre Rapunzel e o príncipe, ela fica grávida, algo descoberto pela feiticeira ao ver a barriga da prisioneira. Quando o príncipe se depara com os cabelos cortados de Rapunzel, acredita que ela está morta, e se joga da janela, ficando cego com os espinhos no solo. Ele vaga sem rumo, chorando. Rapunzel dá à luz a gêmeos, e as suas lágrimas fazem com que o príncipe enxergue novamente.