Com o slogan “Dentro de um suicida há alguém querendo viver”, campanha muda final trágico das histórias suicidas

Diversos pensamentos passam pela nossa cabeça ao saber que alguém se suicidou, e geralmente a gente pensa no resultado disso, na família e amigos que essa pessoa deixou e muitas vezes julgamos o ato puro como algo egoísta. Mas raramente pensamos num passo atrás, pelo que essa pessoa passou, o que ela estava vivendo e o processo que a levou a tomar e executar essa decisão.

Em campanha para para a ONG CVV, que atua gratuitamente na prevenção de suicídio há mais de 50 anos, a agência Leo Burnett Tailor Made pensou nesse processo e criou a campanha “Dentro de um suicida há alguém querendo viver” reescrevendo cartas reais de suicídio, com as mesmas palavras, mudando a mensagem e o final de cada história,

“Esse ato de reescrever sua própria vida ao reorganizar as ideias é um conceito fundamental da atuação do CVV”, comenta Adriana Rizzo, voluntária do CVV. “Muitas pessoas nos procuram porque as emoções se acumulam sem serem bem resolvidas, o que dificulta a clareza sobre as situações da própria vida. Ao se sentir acolhido, sem pressões ou cobranças, a própria pessoa reorganiza seus pensamentos durante a conversa com o voluntário do CVV e encontra outras saídas”, explica.

Diferente do que muitas pessoas acreditam, o suicida pede ajuda e tenta outras soluções até o ato final, porém, a falta de conscientização e de comunicação reduz as chances de prevenção do suicídio. A OMS aponta que nove de cada dez suicídios poderiam ser evitados. “Pelo menos 25 brasileiros morrem vítimas de suicídio diariamente”, afirma Adriana. “A ideia suicida é muito mais comum do que se pensa. Um estudo da Unicamp aponta que 17% dos adultos já pensaram seriamente em se matar”, complementa.

O CVV é um serviço gratuito e realizado exclusivamente por voluntários desde sua fundação, em 1962. A entidade oferece apoio emocional a pessoas que sentem a necessidade de conversar de forma aberta e acolhedora, sem receber críticas, julgamentos ou cobranças, pelo telefone (141), Skype, chat, e-mail, carta ou pessoalmente.

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